Viagens ecléticas, residências e obras: Maria Graham artista-autora-viajante

A autora e artista inglesa Maria Graham (1785-1842) cumpriu um pensamento sistemático sobre viagens, desde a primeira estadia na Índia, intercalando incursões na Europa e emblemáticas residências no Brasil. Existirá museu [imaginário e singular] mais eclético do que a viagem autognósica que um estud...

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Uloženo v:
Podrobná bibliografie
Vydáno v:URI:https://journals.openedition.org/midas,
Hlavní autor: Lambert, Maria de Fátima
Médium: Article ou chapitre numérique
Jazyk:Portugais
Vydáno: MIDAS 2020
Témata:
On-line přístup:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Popis
Shrnutí:A autora e artista inglesa Maria Graham (1785-1842) cumpriu um pensamento sistemático sobre viagens, desde a primeira estadia na Índia, intercalando incursões na Europa e emblemáticas residências no Brasil. Existirá museu [imaginário e singular] mais eclético do que a viagem autognósica que um estudioso ou artista realize? O caso da viajante Maria Graham, cujas experiências críticas se avolumam em cerca de dez livros de viagem, entre os quais O Diário de uma Viagem ao Brasil e de uma Estada País durante parte dos anos de 1821, 1822 e 1823, é exemplar, atendendo ao período de consciência sociopolítica a que se refere. Contrapõem-se às suas reflexões e iconografias, algumas das significativas referências a pintores que obedeceram a suas missões científicas e artísticas, plasmando um Brasil visitado por artistas a partir do século XVII. Subsistiram descrições de locais, costumes e factos, precisando as suas idiossincrasias. A obra literária da autora inglesa combina os registos, narrativas entrecruzando imagens às palavras, sob exigência quase científica. Entre os estudos sobre viajantes-mulheres-artistas, do caso de Maria Graham destacam as caraterísticas da sua pesquisa in loco, agregando o ecletismo de seus depoimentos-relatos viso-verbicos, sem desarticular a sua identidade em consciências dicotómicas. Cartografou os lugares visitados, fixando-os em suportes articulados entre escrita e desenho, tornando a sua obra algo que atingisse, interpelasse os seus leitores europeus. A viajante-investigadora procedeu no cruzamento de ideias, capaz de organizar a peculiaridade nesse seu e “sozinho” museu-viagem-escrita eclético – entre a sedução pelo estranho, a denúncia de condições societárias e gerindo a compulsividade da descarga emotiva.