A aceleração recente da produção de soja na Amazônia: uma história do desmonte ambiental “em prática” no estado de Roraima

Como evoluíram as políticas ambientais e fundiárias no norte da Amazônia brasileira para acomodar a expansão da soja? Neste artigo, focamos no caso de Roraima, onde a superfície de soja aumentou 257 % entre 2018 e 2021. Analisamos em que medida esta aceleração pode ser atribuída à ascensão de J. Bol...

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In:URI:https://journals.openedition.org/nuevomundo,
Main Authors: Eloy, Ludivine, Senra, Estevão B., da Silva, Andréa Leme, Campos, Ciro
Format: Article ou chapitre numérique
Language:Portugais
Published: Nuevo mundo mundos nuevos 2023
Subjects:
Online Access:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Description
Summary:Como evoluíram as políticas ambientais e fundiárias no norte da Amazônia brasileira para acomodar a expansão da soja? Neste artigo, focamos no caso de Roraima, onde a superfície de soja aumentou 257 % entre 2018 e 2021. Analisamos em que medida esta aceleração pode ser atribuída à ascensão de J. Bolsonaro ao poder. Utilizamos um método interdisciplinar para identificar os espaços, atores e mecanismos econômicos e legais envolvidos neste processo. Os dados são oriundos de pesquisa de campo (observações e entrevistas), documentos oficiais, interpretação visual de imagens de satélite e geoprocessamento.O cultivo da soja iniciou em 2000. Desde 2009, um sistema estadual de licenciamento ambiental simplificado facilita a instalação de empresas. A integração soja/pecuária promove a concentração e a valorização fundiária nas zonas florestais, porém limitadas pela exigência de 80 % de Reserva Legal e pela falta de regularização fundiária, sobretudo na faixa de fronteira. Desde 2018, o governo Federal, em parceria com o governo do Estado, simplificou a regularização fundiária e destravou a redução da Reserva Legal nas zonas florestais em 2022 (de 80 % para 50 %). Essas reformas representam um incremento de 1,6 milhão de hectares de floresta passível de desmatamento legal no Estado. É o início de uma nova fase de expansão agroextrativa no norte da Amazônia brasileira, no coração da floresta, e não apenas nas suas bordas, como no passado.