Trajetórias das quitandeiras negras na cidade do Rio de Janeiro: a rua como espaço de circulação, agenciamento e territorialidade (1860-1902)

O artigo analisa as territorialidades das mulheres negras quitandeiras na cidade do Rio de Janeiro, no final do século XIX, através da circulação de seus saberes geoalimentares. A reflexão explora os movimentos e produções de conhecimento diaspóricos dessas mulheres em espaços públicos controlados p...

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發表在:URI:https://journals.openedition.org/nuevomundo,
Auteurs principaux: Cunha, Cristina Antunes Divano, Sousa, Patrício Pereira Alves de
格式: Article ou chapitre numérique
語言:Portugais
出版: Nuevo mundo mundos nuevos 2025
主題:
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實物特徵
總結:O artigo analisa as territorialidades das mulheres negras quitandeiras na cidade do Rio de Janeiro, no final do século XIX, através da circulação de seus saberes geoalimentares. A reflexão explora os movimentos e produções de conhecimento diaspóricos dessas mulheres em espaços públicos controlados pelo poder hegemônico. No comércio transatlântico da escravização, o sistema de kitandas, comum entre mulheres africanas, foi ressignificado no Brasil, transportando epistemologias e cosmologias através da culinária. Enfrentando suspeição ao ocuparem espaços públicos, as quitandeiras negras se tornaram agenciadoras de si, resistindo à violência e negação de pertencimento. A pesquisa na Hemeroteca Digital analisou atividades das quitandeiras negras no Rio de Janeiro entre 1860 e 1902. Esse período abrangeu desde o início das distensões do sistema escravagista até as reformas urbanísticas que remodelaram os territórios centrais ocupados pela população negra e pobre. A pesquisa permitiu concluir que os conhecimentos alimentares se revelaram como estratégias de resistência, ressignificação e preservação da memória durante deslocamentos compulsórios, com as quitandeiras se constituindo como agentes ativos na construção de identidades, territorialidades e resistências, utilizando seus conhecimentos como forma de poder e sobrevivência em um contexto adverso.