A classificação etnográfica dos povos de Angola (1.ª parte)

O objectivo do presente artigo é efectuar um levantamento sobre a «classificação étnica» dos povos de Angola durante o período colonial, recuperar e agrupar o máximo de informação escrita existente sobre o assunto. Essa classificação, efectuada sobretudo durante o século XX — o que equivale dizer, d...

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Detalles Bibliográficos
Publicado en:URI:https://journals.openedition.org/mulemba,
Autor Principal: Coelho, Virgílio
Formato: Article ou chapitre numérique
Idioma:Portugais
Publicado: Mulemba 2016
Sujets:
Acceso en liña:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Descripción
Résumé:O objectivo do presente artigo é efectuar um levantamento sobre a «classificação étnica» dos povos de Angola durante o período colonial, recuperar e agrupar o máximo de informação escrita existente sobre o assunto. Essa classificação, efectuada sobretudo durante o século XX — o que equivale dizer, durante o início da histórica fase de implantação do colonialismo português em Angola, e posteriormente, na sua fase de desenvolvimento —, foi efectuada em múltiplas fases ou períodos por diversos profissionais da administração portuguesa, pelo prelado, sobretudo católico, e por alguns pesquisadores das ciências sociais, apareceu, numa primeira fase, agregado aos objectivos da política colonial de dominação dos povos «primitivos» e «selvagens» encontrados em Angola, e, numa segunda fase, reunidos que estavam os elementos e dados essenciais que lhes permitiu agregar esses povos em «tribos» e/ou «grupos étnicos» e conhecer as suas tendências e práticas, a de utilização da informação para melhor governar, utilizando uma prática comum de subjugação dos povos, isto é, a de «dividir para melhor reinar». A produção do presente artigo afigurou-se-nos igualmente necessário, pois, do ponto de vista histórico e até conceptual, no período pós-independente, foi-se assistindo à produção de estudos baseados em informações pouco consistentes acerca dessas mesmas classificações, completamente despidos de ordenamento e bases históricas, que, em meu entender, acabam por toldar não apenas o espírito crítico pretendido e necessário a qualquer estudo deste tipo, mas também, e sobretudo, a sua objectividade.