Agricultura familiar em Angola: as armadilhas conceituais da classificação dicotómica

No debate em torno da necessidade de desenvolvimento da agricultura familiar em Angola, tem-se tomado como pressuposto um conjunto de dicotomias auto-explicativas, o que engendra uma falsa transparência do seu conceito, e parte dos argumentos a favor da agricultura familiar tem tentado buscar no pas...

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In:URI:https://journals.openedition.org/mulemba,
Main Author: Quitari, Garcia Neves
Format: Article ou chapitre numérique
Language:Portugais
Published: Mulemba 2018
Subjects:
Online Access:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Description
Summary:No debate em torno da necessidade de desenvolvimento da agricultura familiar em Angola, tem-se tomado como pressuposto um conjunto de dicotomias auto-explicativas, o que engendra uma falsa transparência do seu conceito, e parte dos argumentos a favor da agricultura familiar tem tentado buscar no passado colonial a prova do seu sucesso para o futuro desenvolvimento económico e social do país. No entanto, se por um lado, estas dicotomias sustentam-se mais por uma espécie de silogismos, por outro lado, o recurso ao passado colonial negligencia a história ao não considerar o facto de que a agricultura familiar na era colonial tinha na sua base a expropriação de terra dos africanos, um sistema de trabalho forçado, monopólio colonial da produção e comércio dos produtos agrícolas, em detrimento dos africanos e da agricultura de subsistência. Contra este raciocínio dicotómico, o objectivo deste trabalho é contribuir para compreensão do actual sentido da agricultura familiar em Angola.