A entronização do soberano de linhagem em Angola: O caso da comunidade Hanya

Questões relacionadas com a problemática das autoridades tradicionais têm sido levantadas em vários eventos realizados em Angola. Entendemos que o poder tradicional é uma forma de gestão do poder político, geralmente exercido por uma figura de sucessão por linhagem genealógica, e esse tem sido o cos...

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Bibliografiske detaljer
Udgivet i:URI:https://journals.openedition.org/mulemba,
Auteurs principaux: Guebe, António, Pascoal, Domingos
Format: Article ou chapitre numérique
Sprog:Portugais
Udgivet: Mulemba 2018
Fag:
Online adgang:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Beskrivelse
Summary:Questões relacionadas com a problemática das autoridades tradicionais têm sido levantadas em vários eventos realizados em Angola. Entendemos que o poder tradicional é uma forma de gestão do poder político, geralmente exercido por uma figura de sucessão por linhagem genealógica, e esse tem sido o costume observado desde há séculos nas sociedades tradicionais africanas, mas não só. Particularmente em Angola, a institucionalização do poder tradicional e o exercício da sua autoridade obedecem a uma forma de organização social fundamentada na linhagem genealógica, podendo ser matrilinear ou patrilinear, porém, hoje, com a tendência para a hegemonia da linhagem patrilinear e isso em virtude do desaparecimento paulatino das sucessões por via materna. Com o recurso à observação directa de trabalhos de campo efectuadas junto da comunidade hanya, a entrevistas aí efectuadas e à análise documental, foi possível obter elementos que entendemos fiáveis, que dão conta da importância do ritual de entronização de um soberano de linhagem, commumente designado «rei», no seio dessa comunidade, um subgrupo étnico Ovimbundu. Este texto visa essencialmente efectuar uma descrição pormenorizada e actual da cerimónia de entronização do soberano «rei» de linhagem na sociedade hanya, proceder à reposição do conhecimento daquilo que no passado contribuiu para a unidade e a coesão interna da mesma sociedade e, através dele, reproduzir conhecimentos susceptíveis de reforçar as políticas do Governo angolano tendentes ao resgate dos valores socioculturais regionais e locais.