Escrito na areia: notas para um arquivo da participação
O presente ensaio reflete sobre três projetos participativos: “Entre Vizinhos”, “O Poder da Palavra” e “15/25 Imagina” da Fundação Calouste Gulbenkian. Dirigindo-se a grupos diversos e usando metodologias de trabalho diferentes, o meu acompanhamento desde 2021, enquanto investigadora, criou a necess...
Enregistré dans:
| Udgivet i: | URI:https://journals.openedition.org/midas, |
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| Hovedforfatter: | |
| Format: | Article ou chapitre numérique |
| Sprog: | Portugais |
| Udgivet: |
MIDAS
2023
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| Fag: | |
| Online adgang: | Accès Université d'Orléans et IFPM Accès Université d'Orléans et IFPM |
| Summary: | O presente ensaio reflete sobre três projetos participativos: “Entre Vizinhos”, “O Poder da Palavra” e “15/25 Imagina” da Fundação Calouste Gulbenkian. Dirigindo-se a grupos diversos e usando metodologias de trabalho diferentes, o meu acompanhamento desde 2021, enquanto investigadora, criou a necessidade de constituir um arquivo que me permitisse posteriormente analisar os processos dessa participação. Embora o resultado final – apresentado em exposições, propostas de programação ou sessões públicas – seja o lado visível destes longos caminhos, muitas vezes as etapas que os constituem e lhes dão forma acabam por ficar apenas em relatórios internos ou na memória dos participantes. O que proponho é analisar as metodologias utilizadas, dando-lhes visibilidade, mas adotá-las também como as minhas próprias metodologias de investigação, criando uma continuidade entre a observação participante e a escrita sobre a mesma, entre o processo e o pensamento. O pressuposto teórico dos “conhecimentos situados”, tal como defendido pela filósofa Donna Haraway, permite que o lugar que ocupei como participante, estando ao mesmo tempo dentro e fora dos projetos, se reflita no meu posicionamento como investigadora, assumindo que a experiência vivida terá eco e influência na minha investigação, assim como a minha presença pode ter tido nos projetos. É ao longo do processo participativo que a metodologia – se pré-existente – se vai modificando na relação entre os diversos atores envolvidos (artistas, mediadores, participantes externos ao museu). Essa construção contínua é essencial para compreender o percurso da participação enquanto processo, daí vindo a necessidade de criar uma metodologia para a construção de um arquivo do intangível, do “inarquivável”: movimentos, sensações, silêncios, antagonismos, futuros. É um arquivo para uma nova forma de pensar. |
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