Práticas de re-existências poéticas: a poesia no “busão” em Fortaleza (CE)

Este artigo aborda a poesia praticada por Poetas no interior dos ônibus urbanos na cidade de Fortaleza-CE. Como uma das táticas de sobrevivência, a poesia “no busão” cumpre pelo menos dois principais objetivos para os poetas das periferias de Fortaleza e região metropolitana: desmontar os estigmas s...

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Bibliografiske detaljer
Udgivet i:URI:https://journals.openedition.org/intersecoes,
Auteurs principaux: Silva, Francisco Rômulo do Nascimento, Freitas, Geovani Jacó de
Format: Article ou chapitre numérique
Sprog:Portugais
Udgivet: Interseções 2020
Fag:
Online adgang:Accès Université d'Orléans et IFPM
Beskrivelse
Summary:Este artigo aborda a poesia praticada por Poetas no interior dos ônibus urbanos na cidade de Fortaleza-CE. Como uma das táticas de sobrevivência, a poesia “no busão” cumpre pelo menos dois principais objetivos para os poetas das periferias de Fortaleza e região metropolitana: desmontar os estigmas socialmente cristalizados e sustentar-se financeiramente. A poesia dentro dos ônibus não é algo novo na capital cearense e existe em diversas cidades espalhadas pelo Brasil. Essa prática poética e seus poetas de periferia acena para um novo sentido: não é suficiente resistir. É preciso reexistir para “descolonizar”, inventar outras formas de vida: criar é re-existir. Portanto, a primeira reivindicação da re-existência é permanecer vivo em face às “formas contemporâneas de subjugação da vida ao poder da morte”, conforme Achille Mbembe, ao falar de uma força colonial-capitalista em sua forma atual como devir-necropolítico-do-mundo. Um jogo de permanentes deslocamentos (fuga) inventivos, planos estratégicos e fugazes de “desaparecimento” e autoafirmação. Seguindo Frantz Fanon, um verdadeiro salto que introduza a invenção na existência, pois “no mundo em que me encaminho, eu me recrio continuamente”: uma poética decolonial. Como processo investigativo, utilizamos o aporte metodológico da pesquisa qualitativa, bibliográfica e a experiência etnográfica, com a realização de entrevistas em profundidade e de relatos registrados em diário de campo.