(Re)descobrimentos: o Brasil (re)nascido do porão do negreiro e (re)criado pela poesia radical negra de Noémia de Sousa
Na tentativa de oferecer outra perspectiva de leitura das formas como o Brasil é retratado na poesia africana escrita em Língua Portuguesa, proponho ler a postura crítica e o burilar estético desenvolvidos no poema “Samba”, da moçambicana Noémia de Sousa, não só como exemplos da sua verve modernista...
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| Dil: | Portugais |
| Baskı/Yayın Bilgisi: |
Iberic@l
2024
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| Online Erişim: | Accès Université d'Orléans et IFPM Accès Université d'Orléans et IFPM |
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openedition-oai:revues.org:iberical_435 https://doi.org/10.4000/iberical.435 urn:doi:10.4000/iberical.435 pt https://journals.openedition.org/iberical/435 2024-04-30T02:00:00Z info:eu-repo/semantics/openAccess article info:eu-repo/semantics/article urn:handle:20.500.13089/10s3i https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/ (Re)descobrimentos: o Brasil (re)nascido do porão do negreiro e (re)criado pela poesia radical negra de Noémia de Sousa Iberic@l Sorbonne Université - Laboratoire CRIMIC (EA 2561) info:eu-repo/semantics/reference/issn/2260-2534 URI:https://journals.openedition.org/iberical Ribeiro Teixeira, Vanessa Brésil noir Sousa (Noémia de) tradition radicale noire Gilroy (Paul) Atlantique noir black Brazil Sousa (Noémia de) black Radical Tradition Gilroy (Paul) black Atlantic Brasil negro Sousa (Noémia de) tradição Radical Negra Gilroy (Paul) Atlântico Negro Na tentativa de oferecer outra perspectiva de leitura das formas como o Brasil é retratado na poesia africana escrita em Língua Portuguesa, proponho ler a postura crítica e o burilar estético desenvolvidos no poema “Samba”, da moçambicana Noémia de Sousa, não só como exemplos da sua verve modernista, mas, sobretudo, de elaboração artística ligada à Tradição Radical Negra. Tendo em vista a concepção de que o Brasil moderno – assim como outros espaços marcados pela diáspora africana – nasce dos porões do negreiro, evoco as reflexões de Paul Gilroy, em O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência, de forma a estabelecer um diálogo com o olhar crítico de Noémia, diálogo esse que tem como base a primazia da música enquanto produção que comprova a energia de vida de toda uma humanidade negada, capaz de ultrapassar as barreiras da inteligibilidade da comunicação escrita – nesse caso, restrita e restritiva –, “herdada” da lógica civilizacional da modernidade europeia. Pour tenter d’offrir une autre perspective de lecture des manières dont le Brésil est représenté dans la poésie africaine écrite en portugais, je propose d’étudier la posture critique et le raffinement esthétique à l’œuvre dans le poème « Samba », de la Mozambicaine Noémia de Sousa, non seulement comme exemples de sa verve moderniste, mais, surtout, de l’élaboration artistique liée à la tradition radicale noire. Gardant à l’esprit la conception selon laquelle le Brésil moderne – ainsi que d’autres espaces marqués par la diaspora africaine – est né des cales des navires négriers, j’évoque les réflexions de Paul Gilroy, dans L’Atlantique noir : modernité et double conscience, afin d’établir un dialogue avec le regard critique de Noémia de Sousa, dialogue qui se fonde sur le primat de la musique comme production qui prouve l’énergie vitale de toute une humanité niée, capable de surmonter les barrières d’intelligibilité de la communication écrite – en l’occurrence, restreinte et contraignante –, « héritée » de la logique civilisationnelle de la modernité européenne. In an attempt to offer another perspective of reading the ways in which Brazil is portrayed in African poetry written in Portuguese, I propose to read the critical posture and the aesthetic refinement developed in the poem “Samba”, by the Mozambican Noémia de Sousa, not only as examples of its modernist verve, but, above all, of artistic elaboration linked to the Black Radical Tradition. Bearing in mind the conception that modern Brazil – as well as other spaces marked by the African diaspora – was born from the slave trade, I evoke the reflections of Paul Gilroy, in The Black Atlantic: modernity and double consciousness, in order to establish a dialogue with the critical look of Noémia, a dialogue that is based on the primacy of music as a production that proves the life energy of an entire denied humanity, capable of overcoming the barriers of intelligibility of written communication – in this case, restricted and restrictive – , “inherited” from the civilizational logic of European modernity. |
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Na tentativa de oferecer outra perspectiva de leitura das formas como o Brasil é retratado na poesia africana escrita em Língua Portuguesa, proponho ler a postura crítica e o burilar estético desenvolvidos no poema “Samba”, da moçambicana Noémia de Sousa, não só como exemplos da sua verve modernista, mas, sobretudo, de elaboração artística ligada à Tradição Radical Negra. Tendo em vista a concepção de que o Brasil moderno – assim como outros espaços marcados pela diáspora africana – nasce dos porões do negreiro, evoco as reflexões de Paul Gilroy, em O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência, de forma a estabelecer um diálogo com o olhar crítico de Noémia, diálogo esse que tem como base a primazia da música enquanto produção que comprova a energia de vida de toda uma humanidade negada, capaz de ultrapassar as barreiras da inteligibilidade da comunicação escrita – nesse caso, restrita e restritiva –, “herdada” da lógica civilizacional da modernidade europeia. |
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