Mémoires d’objets et d’images dans l’écriture de Maria Judite de Carvalho
A obra de Maria Judite Carvalho, «a flor discreta da nossa literatura», como lhe chamou Agustina Bessa-Luís, apresenta-se, em certa medida, marcada pela memória e, sobretudo, pela memória familiar, assim como pela solidão que as várias lembranças deixaram nas suas personagens. É o caso, por exemplo,...
Salvato in:
| Pubblicato in: | URI:https://journals.openedition.org/iberical, |
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| Autore principale: | |
| Natura: | Article ou chapitre numérique |
| Lingua: | Français |
| Pubblicazione: |
Iberic@l
2025
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| Soggetti: | |
| Accesso online: | Accès Université d'Orléans et IFPM Accès Université d'Orléans et IFPM |
| Riassunto: | A obra de Maria Judite Carvalho, «a flor discreta da nossa literatura», como lhe chamou Agustina Bessa-Luís, apresenta-se, em certa medida, marcada pela memória e, sobretudo, pela memória familiar, assim como pela solidão que as várias lembranças deixaram nas suas personagens. É o caso, por exemplo, do conto Seta Despedida (1995) e da micronarrativa Adília e as vozes (1983). No primeiro, a personagem evoca (e reconstrói) a memória da sua infância, olhando para algumas fotografias antigas do pai, entre outros objetos. No segundo, Adília, no auge da sua velhice, abandona o seu corpo «àquela cadeira-barco que ao longo dos dias realizava a sua viagem de circum-navegação num mar ondulado». O objeto que desencadeia as suas memórias familiares é o rádio, pois as vozes deste aparelho «falavam-lhe talvez como a mãe, quando ela nascera, quando ela tinha meses e sorria às suas palavras». Em ambas as narrativas, a relação especular que os espaços e os objetos estabelecem com as respetivas personagens reflete tanto sentimentos de pertença como de não pertença, a que consagraremos a nossa atenção ao longo deste escrito. |
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