Arthur de Gobineau e Gilberto Freyre
Gilberto Freyre já foi descrito com as mesmas palavras por meio das quais caracterizava o Brasil: um luxo de antagonismos em equilíbrio. Contribuíram decisivamente para essa coincidência as múltiplas possibilidades de leitura ensejadas por sua obra. A se considerar, por exemplo, seu livro de estreia...
Gespeichert in:
| Veröffentlicht in: | URI:https://journals.openedition.org/horizontes, |
|---|---|
| 1. Verfasser: | |
| Format: | Article ou chapitre numérique |
| Sprache: | Portugais |
| Veröffentlicht: |
Horizontes Antropológicos
2015
|
| Schlagworte: | |
| Online Zugang: | Accès Université d'Orléans et IFPM |
| Zusammenfassung: | Gilberto Freyre já foi descrito com as mesmas palavras por meio das quais caracterizava o Brasil: um luxo de antagonismos em equilíbrio. Contribuíram decisivamente para essa coincidência as múltiplas possibilidades de leitura ensejadas por sua obra. A se considerar, por exemplo, seu livro de estreia, Casa-grande & senzala (1933), chama a atenção seu impacto inovador nas letras nacionais, tanto em função de sua perspectiva metodológica quanto de sua versão positiva para a então malsinada identidade brasileira. Mas há chave de leitura alternativa – e não excludente: a narrativa freyriana sobre a formação de nossa sociedade patriarcal, sobremaneira se aliada aos dois outros volumes da trilogia – Sobrados e mocambos (1936) e Ordem e progresso (1958) –, encerra elementos que lhe conferem afinidades com autor à primeira vista – ou a certa vista – antagônico: Arthur de Gobineau. Trata-se de deslocar para segundo plano o tema racial, conferindo protagonismo à narrativa comum revelada pelo elogio a instituições ligadas historicamente ao mundo feudal, especialmente a família. |
|---|