“A gente queria ter uma família”: adoção dissolvida e parentalidades

Neste artigo buscamos refletir sobre os efeitos na vida de uma interlocutora (Flor) que sofreu o impacto de uma adoção dissolvida, por meio de uma descrição etnográfica de sua trajetória. Nossa intenção é ilustrar as consequências dessa dissolução em seu cotidiano e como suas dinâmicas familiares, c...

Ausführliche Beschreibung

Gespeichert in:
Bibliographische Detailangaben
Veröffentlicht in:URI:https://journals.openedition.org/horizontes,
Hauptverfasser: Dios, Maria Luísa Célia Escalona de, Cardoso, Suliane
Format: Article ou chapitre numérique
Sprache:Portugais
Veröffentlicht: Horizontes Antropológicos 2026
Schlagworte:
Online Zugang:Accès Université d'Orléans et IFPM
Beschreibung
Zusammenfassung:Neste artigo buscamos refletir sobre os efeitos na vida de uma interlocutora (Flor) que sofreu o impacto de uma adoção dissolvida, por meio de uma descrição etnográfica de sua trajetória. Nossa intenção é ilustrar as consequências dessa dissolução em seu cotidiano e como suas dinâmicas familiares, comunitárias e institucionais emergem nesse contexto. Entrevistas semiestruturadas e observação participante compõem as ferramentas de pesquisa aplicadas entre 2023 e 2024, em Porto Alegre. Os resultados demonstram que no seu percurso as dinâmicas familiares podem continuar a existir e causar impactos, mesmo após uma dissolução. Embora relações de parentalidade tenham sido experimentadas durante o período de adoção e de institucionalização em acolhimento, as constantes rupturas que atravessam a vida de Flor se colocam perante um jogo de presenças e ausências, questionando a continuidade dessas múltiplas formas de parentalidade, especialmente em um cenário que, em princípio, não deveria ocorrer, dado o caráter irrevogável de uma adoção.