Ultrapassar as fronteiras do literário: o tempo futuro das humanidades
Partindo da comummente aceite noção de crise nas Humanidades, este artigo procura abordar uma preocupação de anos na minha prática docente e de investigação: a de articular o estudo da literatura com os estudos de cultura, reconfigurando aquilo que os fundadores dos estudos culturais propuseram nos...
Kaydedildi:
| Yayımlandı: | URI:https://journals.openedition.org/eces, |
|---|---|
| Yazar: | |
| Materyal Türü: | Article ou chapitre numérique |
| Dil: | Portugais |
| Baskı/Yayın Bilgisi: |
e-cadernos CES
2014
|
| Online Erişim: | Accès Université d'Orléans et IFPM Accès Université d'Orléans et IFPM |
| Özet: | Partindo da comummente aceite noção de crise nas Humanidades, este artigo procura abordar uma preocupação de anos na minha prática docente e de investigação: a de articular o estudo da literatura com os estudos de cultura, reconfigurando aquilo que os fundadores dos estudos culturais propuseram nos idos anos 50 do século passado, numa prática de transdisciplinaridade. O que proponho é que sejamos capazes de dar um passo em frente, de ‘virar a mesa’ como escreveu Robert J.C. Young em ‘Dialectics of Cultural Criticism’, e de construir o tempo futuro das Ciências Sociais e Humanas, ultrapassando as barreiras epistemológicas e levando a literatura para fora dos muros da academia, não deixando que cultura rime com sepultura, como Raymond Williams escrevia. Uma das formas de reconfigurar o estudo da literatura terá de passar pela transdisciplinaridade com as Ciências Sociais, numa abertura ao mundo e às práticas culturais significativas do quotidiano. Gostaria, assim de propor que consideremos a literatura, como objecto literário e estético, produto da capacidade imaginativa dos autores, da sua sensibilidade artística, e como uma forma de produção cultural e a analisemos em relação com as estruturas sociais e com as estruturas de poder, onde se esbatam as barreiras hegemonicamente impostas por epistemologias canónicas e onde se diluam as tensões entre o estético, o político e o ético. |
|---|