Guiné-Bissau: a causa do nacionalismo e a fundação do PAIGC

No pós-guerra, uma linha reformista liderada pelo Governador Sarmento Rodrigues ten­tou fazer da Guiné uma «colónia-modelo», assente na autonomia administrativa, no desenvol­vimento económico-social e na aliança com os indígenas muçulmanos. Foi um período de con­solidação do aparelho colonial e de c...

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Uloženo v:
Podrobná bibliografie
Vydáno v:URI:https://journals.openedition.org/cea,
Hlavní autor: Silva, António E. Duarte
Médium: Article ou chapitre numérique
Jazyk:Portugais
Vydáno: Cadernos de Estudos Africanos 2016
Témata:
On-line přístup:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Popis
Shrnutí:No pós-guerra, uma linha reformista liderada pelo Governador Sarmento Rodrigues ten­tou fazer da Guiné uma «colónia-modelo», assente na autonomia administrativa, no desenvol­vimento económico-social e na aliança com os indígenas muçulmanos. Foi um período de con­solidação do aparelho colonial e de coesão social. No início dos anos cinquenta o Governo por­tuguês começou a prevenir-se contra a descolonização, revogando o Acto Colonial, instalando a polícia política e investigando os movimentos associativos. Na Guiné, revelaram-se as pri­meiras perspectivas de independência política, mas a subversão não veio do exterior nem foi desencadeada por associações influenciadas pelo Islão; começou em Bissau, liderada por uma elite política urbana e crioula, enquanto, na Europa, se tentava um movimento unitário de libertação das colónias portuguesas. Em 1959, dois acontecimentos históricos vão levar à pas­sagem da agitação nacionalista para uma luta de libertação nacional. Por um lado, o «massa­cre do Pindjiguiti», de que se faz aqui uma investigação sistemática, assente em documentos e depoimentos inéditos ou pouco divulgados; por outro, a reunião alargada de 19 de Setembro, «a mais decisiva» (Amílcar Cabral) da história do PAIGC. Considerando a formação do movi­mento de libertação nacional como um processo, vê-se, por fim, como só em 1960, após a II Conferência Pan-Africana, de Tunes, e a «Conferência de Quadros das Organizações Nacionalistas», de Dacar, se pode considerar concluída a fundação do PAIGC.