Franceses, mulheres e outros estrangeiros : de um sermão de 1811 à poesia panfletária de Catarina de Lencastre

Os estudos literários têm desvalorizado a poesia panfletária dos séculos XVIII e XIX. Ela é o exemplo de uma literatura circunstancial e menor, ou a permanência de uma moral ao serviço de uma ideologia. Em qualquer dos casos, um corpo estranho na História Literária que ficciona o nascimento espontân...

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Библиографические подробности
Опубликовано в: :URI:https://journals.openedition.org/carnets,
Главный автор: Borralho, Maria Luísa Malato
Формат: Article ou chapitre numérique
Язык:Portugais
Опубликовано: Carnets 2018
Предметы:
Online-ссылка:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Описание
Итог:Os estudos literários têm desvalorizado a poesia panfletária dos séculos XVIII e XIX. Ela é o exemplo de uma literatura circunstancial e menor, ou a permanência de uma moral ao serviço de uma ideologia. Em qualquer dos casos, um corpo estranho na História Literária que ficciona o nascimento espontâneo do « indivíduo romântico », da “sentimentalidade feminina”, e até de uma “arte pela arte”, amoral e apolítica. E, no entanto, a poesia panfletária que nasce das invasões francesas é a melhor prova dessa mesma historiografia: evidencia o caráter mediático da Literatura, o hibridismo da poesia épica e lírica, mas também a ambiguidade retórica de uma « literatura» que pode ser afinal uma arma do género, evadindo as mulheres do espaço doméstico. Estes aspetos se exemplificarão com a obra de uma poetisa esquecida: Catarina de Lencastre, pretexto adicional para rever os cânones da nossa História Literária.