Práticas do olhar, transformações do torcer: alianças e rivalidades na luta corporal Alto-Xinguana
A luta corporal kindene é uma das práticas mais observadas no Alto Xingu, sendo registrada desde as pioneiras expedições no século XIX e por pesquisadores que trabalharam na demarcação da terra indígena em meados do século XX. Até mais recentemente, com a ampliação etnográfica dos povos e temas abor...
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| Dans: | URI:https://journals.openedition.org/aa, |
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| Auteur principal: | |
| Format: | Article ou chapitre numérique |
| Langue: | Portugais |
| Publié: |
Anuário Antropológico
2021
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| Sujets: | |
| Accès en ligne: | Accès Université d'Orléans et IFPM Accès Université d'Orléans et IFPM |
| Résumé: | A luta corporal kindene é uma das práticas mais observadas no Alto Xingu, sendo registrada desde as pioneiras expedições no século XIX e por pesquisadores que trabalharam na demarcação da terra indígena em meados do século XX. Até mais recentemente, com a ampliação etnográfica dos povos e temas abordados, a kindene sempre foi alvo de sucintas, porém, prestigiosas descrições. Apesar desse caráter de epifenômeno, em meio a toda suntuosidade ritual na qual é primordialmente disputada, apresenta contendas políticas envolvendo a chefia; rivalidades históricas que atravessam gerações; transformações que consolidam sistemas regionais; emoções e performances entre lutadores e torcedores. A dinâmica da organização ritual, especialmente do egitsü, cerimônia pós-fúnebre em homenagem aos chefes, embaralha as relações interétnicas. Tais configurações promovem alianças e oposições na formação dos times e, por consequência, das torcidas que se rearranjam a cada evento. Este artigo propõe-se a dar maior visibilidade às relações entre os planos do jogar e do torcer, mediados pela faculdade do olhar nas comemorações das vitórias, indicando as transformações desencadeadas no universo relacional entre os povos da região. Posições determinantes para os combates rituais, os nginiko (“olhadores”), trazem à tona novos ângulos para tratarmos a complexidade das relações no contexto da chamada pax xinguana. |
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