A cultura invisível: conhecimento indígena e patrimônio imaterial

A cultura (imaterial) indígena vive apenas em suas materializações, visíveis ou invisíveis. Dar a ver, revelar — assim como ocultar — essa ‘cultura’ é parte da vida (“social”) indígena — é toda ela, se esta vida deve ser vivida em termos de conhecimentos, práticas, discursos, interpretações, expecta...

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Bibliografiske detaljer
Udgivet i:URI:https://journals.openedition.org/aa,
Hovedforfatter: Souza, Marcela Stockler Coelho de
Format: Article ou chapitre numérique
Sprog:Portugais
Udgivet: Anuário Antropológico 2017
Fag:
Online adgang:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Beskrivelse
Summary:A cultura (imaterial) indígena vive apenas em suas materializações, visíveis ou invisíveis. Dar a ver, revelar — assim como ocultar — essa ‘cultura’ é parte da vida (“social”) indígena — é toda ela, se esta vida deve ser vivida em termos de conhecimentos, práticas, discursos, interpretações, expectativas e significados específicos cuja relativa coerência os antropólogos constroem como cultura. Pois é por meio dos efeitos produzidos por essas revelações e esses ocultamentos que são tecidas as relações (“sociais”) de que se faz a vida dos humanos — relações com outros humanos, animais, espíritos, brancos.Tecidas de uma maneira específica, porque do que se trata é de relações específicas (entre pessoas, humanas ou não, determinadas), cuja qualidade se reconhece por certas formas específicas (a beleza do padrão; a quantidade de enfeites; a eficácia do remédio). Por meio de alguns exemplos pinçados na literatura recente, relativos a saberes xamânicos, ornamentação e pintura corporal, este artigo procura tematizar os possíveis efeitos da constituição de contextos revelatórios que determinam esses conhecimentos como “cultura”, no bojo do debate recente sobre patrimônio imaterial e conhecimentos tradicionais.