Concepções e conhecimentos quilombolas e as hipóteses científicas sobre a criação e a reprodução das florestas de castanhais-Alto Trombetas, Oriximiná-PA

Neste artigo serão abordados as concepções e os conhecimentos dos quilombolas castanheiros habitantes do Alto Trombetas, município de Oriximiná-PA, a respeito da criação e da reprodução das florestas de castanhais (Bertholletia excelsa). Elas serão apresentadas em diálogo com as hipóteses científica...

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Библиографические подробности
Опубликовано в: :URI:https://journals.openedition.org/aa,
Главный автор: Scaramuzzi, Igor
Формат: Article ou chapitre numérique
Язык:Portugais
Опубликовано: Anuário Antropológico 2020
Предметы:
Online-ссылка:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Описание
Итог:Neste artigo serão abordados as concepções e os conhecimentos dos quilombolas castanheiros habitantes do Alto Trombetas, município de Oriximiná-PA, a respeito da criação e da reprodução das florestas de castanhais (Bertholletia excelsa). Elas serão apresentadas em diálogo com as hipóteses científicas formuladas por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento sobre este tema. Os dados da minha etnografia demonstram que as concepções dos quilombolas não são necessariamente discordantes, mas incorporam os diferentes argumentos explorados pela ciência sem ter como pressupostos a discussão sobre o protagonismo humano e a separação entre os domínios da natureza e da cultura que acompanham os debates no entorno das hipóteses científicas. As concepções e conhecimentos quilombolas a respeito da criação e da reprodução das florestas de castanhais retratam a natureza de uma forma “descentrada” do humano e compartilham pressupostos comuns adotados por alguns autores contemporâneos que se dedicam ao estudo das relações entre natureza e cultura na antropologia. Além de uma abordagem menos antropocêntrica da natureza, as concepções e conhecimentos quilombolas sobre este tema também assinalam, no âmbito das florestas de castanhais, uma forma de socialidade não hierárquica, sem relações de dominação e baseada na parceria e na ajuda mútua entre humanos e não humanos.