Transformações antropogênicas, mito, música e os coletivos xamanísticos Ka’apor: experimentações preliminares a caminho de uma etnomusicologia de multiespécies

Quando a compulsão humana consegue modificar a paisagem de uma região do planeta – compulsão traduzida pela monomania “agro pop”, pecuária, garimpos/ mineração, extração de madeira etc. – e, por essa razão, o clima é alterado, o antropos pode ser tomado como o único agente geológico responsável pela...

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Veröffentlicht in:URI:https://journals.openedition.org/aa,
1. Verfasser: Camarinha, Hugo Maximino
Format: Article ou chapitre numérique
Sprache:Portugais
Veröffentlicht: Anuário Antropológico 2020
Schlagworte:
Online Zugang:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Beschreibung
Zusammenfassung:Quando a compulsão humana consegue modificar a paisagem de uma região do planeta – compulsão traduzida pela monomania “agro pop”, pecuária, garimpos/ mineração, extração de madeira etc. – e, por essa razão, o clima é alterado, o antropos pode ser tomado como o único agente geológico responsável pela transformação do clima? Ou ainda: quando determinado conceito acionado pela Ecologia Histórica, em detrimento da agência multiespecífica, desloca a gênese dos ecossistemas florestais para a mão única dos coletivos humanos, essa pode ser considerada outra imposição antropocêntrica? Para os Ka’apor (povo de língua Tupi, da Terra Indígena do Alto Turiaçu – MA), desde suas narrativas ou mitos de criação, pessoas surgiram do tronco de algumas árvores. Implícita a importância concedida por este povo aos seres de caule lenhoso. Afronta colossal quando a “alienação que transforma […] seres em recursos” (Tsing, 2015, p. 20) lhes toma a floresta. Assim, a intenção nesta exposição será mesclar uns poucos enunciados relativos ao “Antropoceno” e à floresta antropogênica e em sequência refletir sobre algumas categorias vigentes na antropologia, com o objetivo de experimentar alguns cruzamentos com a pesquisa deste autor sobre música e xamanismo Ka’apor. Ideias percebidas aqui como um contributo para uma possível etnomusicologia de multiespécies.