A dor do parto: emoção, corpo e maternidade no Rio de Janeiro

Neste artigo, examino como a dor enquanto evento põe em relevo, em narrativas de parto, a articulação entre corporalidade, emoção e contexto social, com destaque para os atores, saberes e valores em torno da medicalização e da maternidade. Comparo o modo como mulheres brancas de camadas médias do Ri...

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In:URI:https://journals.openedition.org/aa,
Main Author: Rezende, Claudia Barcellos
Format: Article ou chapitre numérique
Language:Portugais
Published: Anuário Antropológico 2019
Subjects:
Online Access:Accès Université d'Orléans et IFPM
Accès Université d'Orléans et IFPM
Description
Summary:Neste artigo, examino como a dor enquanto evento põe em relevo, em narrativas de parto, a articulação entre corporalidade, emoção e contexto social, com destaque para os atores, saberes e valores em torno da medicalização e da maternidade. Comparo o modo como mulheres brancas de camadas médias do Rio de Janeiro de dois grupos etários, com idades entre 60 e 70 anos e 37-47 anos e formação universitária, falam da dor do parto. Apresento como as narrativas constroem o parto de forma distinta para os dois grupos etários – pouco preparado para as mais velhas, muito planejado para as mais jovens, refletindo assim sobre o lugar da agência em cada grupo e sua articulação com a maternidade. Parto de uma preocupação da emoção em discurso, cujos sentidos variam contextualmente, levando em conta que é um afeto vivido no corpo.. As emoções integram a subjetividade enquanto modos culturalmente formados de pensar e sentir, formando a agência baseada em desejos e intenções específicos. Argumento, assim, que a dor nas narrativas remete a uma percepção de si e de sua agência atravessada pelo gênero, em um contexto de medicalização do parto.