Percursos de regresso ao trabalho após acidente: confronto com novos obstáculos

Este artigo explora obstáculos com os quais os sinistrados do trabalho se deparam no regresso ao trabalho após o acidente. Dois estudos desenvolvidos em Portugal servem de referência à análise e reflexão sobre esta questão. Um dos estudos resultou do pedido de intervenção de uma empresa do Norte de...

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Prif Awduron: Pereira, Cláudia, Santos, Marta, Cunha, Liliana
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Cyhoeddwyd: Laboreal 2019
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Pereira, Cláudia
Santos, Marta
Cunha, Liliana
Percursos de regresso ao trabalho após acidente: confronto com novos obstáculos
description Este artigo explora obstáculos com os quais os sinistrados do trabalho se deparam no regresso ao trabalho após o acidente. Dois estudos desenvolvidos em Portugal servem de referência à análise e reflexão sobre esta questão. Um dos estudos resultou do pedido de intervenção de uma empresa do Norte de Portugal, junto de trabalhadores com restrição médica para o trabalho habitual, com o objetivo de se definir um contexto alternativo de trabalho; e o outro estudo, solicitado pela Associação Nacional dos Deficientes e Sinistrados do Trabalho, visou a construção de um retrato dos percursos pós-acidente de trabalhadores de diferentes setores de atividade.Os resultados permitiram sistematizar três grandes categorias de obstáculos, designadamente, quando o regresso é feito à mesma função, mas sem uma análise e planeamento prévios; quando o conteúdo do trabalho atribuído não é objeto de debate com os trabalhadores; e quando o regresso é feito sem ter em conta o facto de haver necessidade também de o coletivo de trabalho se reorganizar.Reforça-se a conceção do acidente de trabalho como um turning point no percurso profissional, com implicações sempre singulares, cuja análise permite ainda sinalizar propostas de intervenção concretas para além dos percursos individuais.
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Dois estudos desenvolvidos em Portugal servem de referência à análise e reflexão sobre esta questão. Um dos estudos resultou do pedido de intervenção de uma empresa do Norte de Portugal, junto de trabalhadores com restrição médica para o trabalho habitual, com o objetivo de se definir um contexto alternativo de trabalho; e o outro estudo, solicitado pela Associação Nacional dos Deficientes e Sinistrados do Trabalho, visou a construção de um retrato dos percursos pós-acidente de trabalhadores de diferentes setores de atividade.Os resultados permitiram sistematizar três grandes categorias de obstáculos, designadamente, quando o regresso é feito à mesma função, mas sem uma análise e planeamento prévios; quando o conteúdo do trabalho atribuído não é objeto de debate com os trabalhadores; e quando o regresso é feito sem ter em conta o facto de haver necessidade também de o coletivo de trabalho se reorganizar.Reforça-se a conceção do acidente de trabalho como um turning point no percurso profissional, com implicações sempre singulares, cuja análise permite ainda sinalizar propostas de intervenção concretas para além dos percursos individuais. Este artículo explora los obstáculos que los accidentados del trabajo enfrentan cuando vuelven al trabajo tras un accidente. Dos estudios realizados en Portugal sirven de referencia para el análisis y reflexión sobre este tema. Uno de los estudios tuvo origen en la solicitud de intervención de una empresa en el norte de Portugal y se centró en los trabajadores con restricciones médicas para el trabajo habitual a fin de definir un entorno de trabajo alternativo; el otro estudio, solicitado por la Associação Nacional dos Deficientes e Sinistrados do Trabalho[Asociación Nacional de Discapacitados y Accidentados del Trabajo], tuvo como objetivo elaborar un perfil de las trayectorias post-accidente de trabajadores de diferentes sectores de actividad. Los resultados permitieron sistematizar tres grandes categorías de obstáculos, en particular, cuando se vuelve a la misma función, pero sin un análisis ni una planificación previos; cuando el contenido del trabajo asignado no se debate con los trabajadores; y cuando la vuelta se hace sin tener en cuenta el hecho de que también es necesario que el colectivo de trabajo se reorganice. Se refuerza la noción del accidente de trabajo como un turning point en la trayectoria profesional, con consecuencias siempre singulares, cuyo análisis permite aún identificar propuestas de intervención concretas más allá de las trayectorias individuales. Cet article cherche à explorer les obstacles auxquels sont confrontés les accidentés du travail lors de leur retour à l'activité professionnelle. Deux études menées au Portugal servent de référence à l'analyse et à la réflexion concernant cette question. La première étude a été mise en place à la demande d'une entreprise du Nord du Portugal qui souhaitait une intervention auprès de travailleurs souffrant d'une incapacité partielle de travail, afin de définir un contexte alternatif de travail. La seconde étude, sollicitée par l'Associação Nacional dos Deficientes e Sinistrados do Trabalho [Association Nationale des Handicapés et Sinistrés du Travail], cherchait à dresser un profil des parcours post-accident de travailleurs issus de différents secteurs d'activité.Les résultats ont permis de systématiser trois grandes catégories d'obstacles: lorsque le retour se fait au même poste mais sans analyse et planification préalables ; lorsque le contenu du travail attribué ne fait pas l'objet de débat avec les travailleurs ; lorsque le retour se fait sans tenir compte de la nécessité de réorganisation du collectif de travailleurs.La conception de l'accident du travail en tant que moment charnière (turning point) dans le parcours professionnel s'est trouvé renforcée par cette étude. Bien que les conséquences soient toujours singulières, l'analyse a permis de mettre en évidence des propositions d'intervention concrètes qui se situent au-delà des parcours individuels. This paper discusses the obstacles the injured workers have to face upon their return to work after the accident. Two studies developed in Portugal support the analysis and the reflection on this issue. One of the studies is the outcome of a request from a company settled in the North of Portugal involving the workers with medical restrains to perform their usual work. The order consisted in an intervention to define an alternative work context. The other study, ordered by the Associação Nacional dos Deficientes e Sinistrados do Trabalho [National Association of Disabled Workers Injured On-the-job], aimed at depicting the workers' post-accident paths from different activity sectors.Three main categories of obstacles emerge from the findings, namely, when the workers return to the same function with no prior analysis and planning; when the content of the job is assigned without taking the workers' opinion into account; and when the return neglects the need for the collective work to be reorganized.The concept of the work accident as a turning point in the professional path is reinforced. The implications are always unique and the analysis to that singularity makes it possible to sign specific intervention proposals beyond the individual paths.